Artigos Científicos

 

Se preferir, selecione um dos temas abaixo:

Parto
Acompanhante no parto
Episiotomia
Cesárea
Humanização da Assistência ao Parto e Violência Obstétrica

 

 

Parto

Aspectos da satisfação das mulheres com a assistência ao parto: contribuição para o debate

Rosa Maria Soares Madeira Domingues, Elizabeth Moreira dos Santos, Maria do Carmo Leal

Cad. Saúde Pública vol.20  suppl.1 Rio de Janeiro Jan. 2004

 

RESUMO  

Este estudo tem por objetivo analisar os fatores que estiveram associados à satisfação das mulheres com a assistência ao parto normal na Maternidade Leila Diniz. Realizou-se um estudo com desenho transversal por meio de entrevista com puérperas de parto vaginal internadas no período de 1º a 30 de março de 1999. Para averiguar o grau de satisfação, foram utilizadas: (a) uma escala para avaliação global do parto; (b) a descrição das razões alegadas pelas mulheres para essa avaliação e (c) análise de fatores associados à satisfação com o parto. O Qui-quadrado para teste de tendência, com nível de significância de 5%, foi utilizado para a análise dos resultados. Encontrou-se uma elevada satisfação com o parto (67%), sendo os principais determinantes da satisfação a rapidez do parto, o bom tratamento da equipe, o pouco sofrimento, o bom estado da mãe e do bebê, bem como a presença do acompanhante familiar. Verificou-se também associação dessa satisfação com a informação fornecida durante a assistência ao trabalho de parto e ao parto, e com a percepção positiva dos profissionais que forneceram essa assistência.  

 

Assistência Perinatal; Humanização do Parto; Satisfação do Usuário

 

 

 

 

Acompanhante no parto

Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura

Odaléa Maria Brüggemann, Mary Angela Parpinelli, Maria José Duarte Osis

Cad. Saúde Pública vol.21 n.5 Rio de Janeiro Sep./Oct. 2005

 

RESUMO

Os efeitos do suporte à mulher durante o trabalho de parto/parto por profissionais de saúde, mulheres leigas e doulas, sobre os resultados maternos e neonatais têm sido avaliados em vários ensaios clínicos randomizados, metanálises e revisões sistemáticas. Este artigo apresenta a revisão desses estudos, enfocando as principais características, o provedor de suporte, a simultaneidade na presença ou não do companheiro/familiares da parturiente durante o trabalho de parto e parto, e os resultados obtidos. Foram incluídos os estudos publicados entre os anos de 1980 e 2004, que contemplam explicitamente os aspectos avaliados. De maneira geral, os resultados do suporte são favoráveis, destacando-se redução da taxa de cesarianas, da analgesia/medicamentos para alívio da dor, da duração do trabalho de parto, da utilização de ocitocina e produzindo aumento na satisfação materna com a experiência vivida. Quando o provedor de suporte não é um profissional de saúde, os benefícios têm sido mais acentuados. Os estudos disponíveis não avaliam o acompanhante escolhido pela parturiente como um provedor de suporte, o que constitui lacuna de conhecimento a ser preenchida.

 

Trabalho de Parto; Parto; Assistência Perinatal

 

 

Apoio no nascimento: percepções de profissionais e acompanhantes escolhidos pela mulher

Odaléa Maria Brüggemann, Maria José Duarte Osis, Mary Angela Parpinelli

Rev. Saúde Pública vol.41 no.1 São Paulo Feb. 2007 Epub Nov 28, 2006

 

RESUMO

 

OBJETIVO: Descrever a percepção de profissionais da saúde sobre prestar assistência à parturiente na presença do acompanhante por ela escolhido, e a percepção dos acompanhantes sobre essa experiência. 

MÉTODOS: Realizou-se estudo qualitativo, a partir de ensaio clínico randomizado controlado. A amostra estudada foi intencional e definida por saturação de informação. Foram entrevistados 11 profissionais da saúde e 16 acompanhantes no centro obstétrico de uma maternidade em Campinas, SP, de outubro de 2004 a março de 2005. Empregou-se a técnica de análise temática de discurso, utilizando-se as figuras metodológicas: idéia central, expressões-chave e o discurso do sujeito coletivo. 

RESULTADOS: Entre as idéias centrais dos profissionais destacaram-se: não houve diferença em prestar assistência com acompanhante durante o trabalho de parto e parto; com o acompanhante ocorreram mudanças positivas na assistência; o acompanhante dá apoio emocional à parturiente, que fica mais satisfeita, segura e tranqüila; existem muitos aspectos positivos no comportamento e participação das parturientes com acompanhante; o acompanhante não causou problema e fez o profissional ter atitude mais humana e menos rotineira. As principais idéias centrais dos acompanhantes foram: sentimentos positivos, emoção, satisfação com a experiência; poder ajudar ao dar apoio emocional; sentir-se bem recebido pelos profissionais. 

CONCLUSÕES: Os profissionais da saúde consideraram importante o apoio do acompanhante não tendo sido observado problema em prestar assistência na sua presença. Os acompanhantes se sentiram satisfeitos e recompensados com a experiência. Não foram detectados conflitos de opinião entre os envolvidos.

 

Descritores: Parto humanizado. Equipe de assistência ao paciente. Conhecimentos, atitudes e prática em saúde. Pesquisa qualitativa. Acompanhantes de pacientes. 

 

 

A definição do acompanhante no parto: uma questão ideológica?

Sonia Nussenzweig HotimskyI; Augusta Thereza de Alvarenga

Rev. Estud. Fem. v.10 n.2 Florianópolis jul./dic. 2002

 

RESUMO

 

Discursos médicos, jurídicos e sanitaristas reconhecem a importância que tem a presença do acompanhante no parto. Porém, a definição dessa personagem varia nos diversos discursos em pauta. Descrevemos padrões de acompanhamento na cena do parto em um serviço de saúde 'alternativo' com uma proposta de parto ambulatorial realizado fora do hospital, assistido por obstetrizes, discutindo sua relação com as diferentes formas de sociabilidade, inclusive de relações de gênero, existentes entre as mulheres e os homens de distintas origens sociais que freqüentavam esse serviço. Por fim, discutimos os limites impostos, sobretudo pela legislação estadual de São Paulo e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, ao leque de 'opções' de acompanhante(s) elegidas pelas parturientes e aos membros de suas redes de relações.

 

Palavras-chave: acompanhantes no parto, família, relações de gênero.

 

 

Episiotomia

O papel da episiotomia na obstetrícia moderna

Melania Maria Ramos de Amorim, Leila Katz

FEMINA Janeiro 2008 vol 36 nº 1

 

Resumo: A episiotomia persiste como um dos procedimentos mais realizados em Obstetrícia em diversos países. 

Entretanto, embora venha sendo praticada por aproximadamente 250 anos, sua realização permanece 

controversa. Vários ensaios clínicos randomizados bem controlados foram publicados sobre o assunto, 

fornecendo evidências nível I. No presente artigo, os autores revisam as melhores evidências disponíveis 

pertinentes aos supostos benefícios percebidos para a episiotomia no passado, bem como aos seus 

efeitos deletérios. A episiotomia de rotina era anteriormente considerada pelos obstetras uma estratégia 

para proteger o períneo, o assoalho pélvico e o feto das lesões do parto, porém gradualmente tem 

se demonstrado tratar-se de procedimento desnecessário e prejudicial. Com o advento da Medicina 

Baseada em Evidências, os obstetras precisam considerar que os riscos de lesão materna superam os 

possíveis benefícios. Além de não proteger o assoalho pélvico, a episiotomia aumenta a freqüência de 

dor perineal, dispareunia, perda sangüínea, laceração do esfíncter anal, lesão retal e incontinência anal, 

sem reduzir as taxas de incontinência urinária ou melhorar os resultados neonatais. Quando realizada 

rotineiramente sem indicação precisa, a episiotomia foi descrita por Marsden Wagner como mutilação 

genital feminina, devendo, portanto, ser evitada. Em relação à prática da episiotomia, alguns autores 

sugerem que a melhor recomendação é representada pelo ditado: “Não faça nada, sente-se!”.

 

Palavras-chave: Episiotomia, Períneo/lesões, Medicina Baseada em Evidências

 

Cesárea

Meio grogue e com as mãos amarradas: o primeiro contato com o recém-nascido segundo mulheres que passaram por uma cesárea indesejada

Heloisa de Oliveira Salgado, Denise Yoshie Niy, Carmen Simone Grilo Diniz

Journal of Human Growth and Development

2013; 23(2): 190-197

 

Resumo

Objetivo: descrever e analisar a experiência e os sentimentos de mulheres que relatam ter vivido uma cesárea indesejada no primeiro contato com seus filhos recém-nascidos. Método: pesquisa baseada na internet, com convite para participação publicado em outubro de 2011 via redes sociais.

As mulheres que responderam foram entrevistadas a respeito de sua experiência de cesárea, de sentimentos associados à experiência de parto e nascimento e ao período pós-parto. A pesquisa foi orientada pela perspectiva das relações sociais de gênero. Resultados: vinte mulheres foram entrevistadas. A idade delas variou entre 17 e 41 anos. Metade delas residia em São Paulo. Todas, exceto uma, tinham 12 anos ou mais de estudo e eram casadas ou moravam com o companheiro.

Apenas duas permaneceram com o filho logo após o nascimento. Para as demais, o tempo de separação variou de menos de uma hora (três mulheres) a mais de quatro horas (seis mulheres). A maioria não pôde contar com um acompanhante de sua escolha no pós-parto imediato, embora no Brasil esse direito seja garantido por lei. A maioria relata ter sofrido algum tipo de violência. Muitas lamentaram estar sob efeito de medicação para sedação no primeiro contato com o recém-nascido.

Três grupos foram identificados: mulheres com sentimentos de plenitude, mulheres com sentimentos ambíguos e mulheres sem emoções positivas acerca de seu filho. Conclusões: mulheres que referem suas cesáreas como indesejadas tiveram suas frustrações com as experiências do parto amplificadas pelas condições do primeiro contato com seu recém-nascido, condições estas prejudicadas pelas rotinas de assistência nos pós-parto imediato.

Palavras-chave: cesárea, relações mãe-filho, gênero e saúde, violência contra a mulher, rede social.

 

 

 

A experiência da cesárea indesejada: perspectivas das mulheres sobre decisões e suas implicações no parto e nascimento

Heloisa de Oliveira Salgado

Dissertação de Mestrado, Faculdade de Saúde Pública-USP, São Paulo, 2012.

 

Resumo em portuguêsIntrodução De acordo com a literatura, 70 a 80 por cento das mulheres que sofreram uma cesárea desejavam um parto normal no início da gravidez. Entre os fatores relacionados, identificam-se decisões junto à equipe que acompanhou o pré-natal e o trabalho de parto. Infere-se que a frustração desse desejo pode ter implicações no pós-parto, em especial, na relação mãe-bebê, na amamentação e na saúde mental pós-parto. Objetivo Descrever e analisar a experiência da cesárea autorreferida como indesejada por mulheres que buscaram um parto normal e os mecanismos associados à discrepância entre o desejo original (parto normal) e o desfecho (cesárea) e suas implicações no pós-parto, a saber, no aleitamento materno, na ocorrência de depressão pós-parto/babyblues e na formação do vínculo. Métodos Pesquisa qualitativa que contou com o preenchimento de roteiro de questões semiestruturadas, via e-mail, por mulheres participantes de mídias sociais, e análise dos dados a partir de categorias pré-determinadas e novas categorias advindas da análise. Resultados Esta pesquisa evidenciou o uso rotineiro de práticas inadequadas e desrespeitosas, como o convencimento para realizar a cesárea com base em informação distorcida e ameaçadora, o descaso com o bem-estar físico e emocional da mulher, a privação de recursos e procedimentos baseados em evidências científicas na condução do pré-natal e do trabalho de parto, o desrespeito à Lei do Acompanhante, a privação do contato com o bebê após o nascimento, o uso de medicamento para sedar as mulheres logo após o parto, entre outras ocorrências analisadas sob a ótica da violência institucional obstétrica. Conclusões O processo que conduz as mulheres a uma cesárea indesejada é marcado por uma assistência que virtualmente inviabiliza a possibilidade do protagonismo feminino e de escolha informada, priorizando as conveniências e necessidades das equipes e instituições que as acompanham, com significante impacto emocional no pós-parto e na relação mãe-bebê.

 

 

Palavras chave: Amamentação. Blues Puerperal. Cesárea Indesejada. Parto. Relação Mãe-Bebê. Violência Obstétrica.

 

 

 

O parto como eu vejo... ou como eu o desejo? Expectativas de gestantes, usuárias do SUS, acerca do parto e da assistência obstétrica

Sonia Nussenzweig Hotimsky, Daphne Rattner, Sonia Isoyama Venancio, Cláudia Maria Bógus, Marinês Martins Miranda

Cad. Saúde Pública vol.18 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2002

 

 

Resumo Explicações para a elevação das taxas de cesárea em nosso país giraram em torno da forma como se organizou a assistência obstétrica, a formação dos profissionais de saúde e a demanda de cesarianas pelas parturientes. Neste trabalho nos propusemos a identificar as expectativas de gestantes em relação ao tipo de parto. Foram realizados três grupos focais em um hospital público na cidade de São Paulo. As categorias de análise foram: parto normal, fórceps, cesárea, pré-natal e assistência ao parto. Nesses grupos, pudemos identificar demanda por cesárea em multigestas associada ao desejo de laqueadura tubária e, mais que medo da dor do parto, as mulheres temiam as reações dos profissionais de saúde às suas queixas. Evidenciou-se deficiência de informações sobre questões da vida reprodutiva, todavia, a preferência era pelo parto vaginal, sendo a cesárea temida pelos riscos a ela associados. As autoras propõem a revisão da demanda das mulheres por cesárea como um dos fatores principais da escalada de partos cirúrgicos em nosso sistema de saúde. 

Palavras-chave Saúde Reprodutiva; Obstetrícia; Parto; Pesquisa sobre Serviços de Saúde

 

 

Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I

Melania Maria Ramos Amorim, Alex Sandro Rolland Souza, Ana Maria Feitosa Porto

FEMINA, Agosto 2010 vol 38 nº 8

 

Resumo No Brasil, as taxas de cesárea variam bastante entre as regiões, principalmente quando se compara a assistência realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com a assistência privada. A taxa de cesarianas no setor de saúde suplementar chega próximo de 80%, enquanto no SUS fica próxima de 30%, muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Realizou-se uma revisão da literatura em busca das melhores evidências disponíveis sobre indicações de cesariana. Analisaram-se as principais indicações de cesárea, como distocia ou falha na progressão do parto, desproporção cefalopélvica, má posição fetal nas variedades de posição posteriores e transversas persistentes, apresentação pélvica, de face e córmica, cesárea anterior, frequência cardíaca fetal não-tranquilizadora, presença de mecônio e centralização fetal. Em nenhuma dessas situações existe indicação absoluta de cesariana, uma vez que mesmo na apresentação córmica o parto normal pode ser tentado, mediante versão cefálica externa (VCE). Nas distocias de progressão, o parto normal pode ser alcançado mediante correção da contratilidade uterina, porém a cesariana encontra-se indicada quando a desproporção cefalopélvica é diagnosticada pelo uso judicioso do partograma. A apresentação pélvica também pode ser corrigida com VCE a termo, mas a via de parto deve ser discutida com a gestante quando a VCE falha ou não é realizada. Embora os riscos relativos neonatais sejam maiores para o parto vaginal, os riscos absolutos são baixos, e a opinião da gestante deve ser considerada.

 

Palavras-chave

Cesárea. Trabalho de parto. Parto obstétrico.

 

 

Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte II

Alex Sandro Rolland Souza, Melania Maria Ramos Amorim, Ana Maria Feitosa Porto

0 FEMINA Setembro 2010 vol 38 nº 9

 

Resumo A alta incidência de cesarianas desnecessárias é motivo de preocupação mundial. Estudos demonstraram que os benefícios conferidos ao feto pela cesariana são pequenos. Além de o procedimento se associar a maiores taxas de mortalidade materna, aproximadamente quatro a cinco vezes maiores que o parto vaginal, está também associado ao aumento da morbidade e mortalidade perinatal. Assim, a decisão para realização de uma cesariana deve ser criteriosa e discutida com a paciente. Realizou-se uma revisão da literatura em busca das melhores evidências disponíveis sobre indicações de cesariana. Foram abordadas algumas indicações, como placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, vasa prévia, placenta acreta, infecção por HIV, herpes genital, hepatites e por HPV, condiloma genital, gestação múltipla, prolapso do cordão umbilical, distensão segmentar e ruptura uterina. Observou-se que a cesariana está formalmente indicada em algumas situações particulares, como na placenta prévia total. Em outros casos, pode haver indicação de cesárea intraparto, porém situações como HPV e gemelaridade não representam per se indicações de cesárea. Quando essas são relativas, tanto a mulher como seus familiares devem ser informados, e sua opinião deve ser considerada antes de se decidir pela realização da cesárea. 

 

Palavras-chave

Cesárea. Trabalho de parto. Parto obstétrico.

 

 

Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico

Alex Sandro Rolland Souza, Melania Maria Ramos Amorim, Ana Maria Feitosa Porto

FEMINA Setembro 2010 vol 38 nº 10

 

Resumo Considerando as elevadas taxas de cesariana no Brasil, é possível concluir que uma elevada proporção desses procedimentos é desnecessária. Realizou-se revisão da literatura buscando as melhores evidências disponíveis sobre indicações de cesárea. As seguintes condições foram consideradas: doença cardiovascular, diabetes, pré-eclâmpsia, câncer ovariano e cervical, gestação após transplante hepático, oligo-hidrâmnio, rotura prematura das membranas, circular de cordão, gestação prolongada, malformações congênitas, macrossomia fetal, fetos prematuros em apresentação cefálica ou pélvica, pequenos para idade gestacional, baixo peso ao nascer e envelhecimento placentário precoce. Nenhuma dessas condições representa indicação absoluta de cesariana, e o parto vaginal deveria ser preferido em vários casos, exceto em algumas situações especiais.

 

Palavras-chave

Cesárea, Trabalho de parto, Parto obstétrico

 

 

 

Parto cesáreo: quem o deseja? Em quais circunstâncias?

Gisele Peixoto Barbosa, Karen GiffinI; Antonia Angulo-Tuesta, Andrea de Souza Gama, Dóra Chor, Eleonora D’Orsi, Ana Cristina Gonçalves Vaz dos Reis

Cad. Saúde Pública vol.19 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2003

 

RESUMO

 

O Brasil apresenta altos índices de cesáreas. Este estudo investigou a existência de uma "cultura de cesárea", ou preferência por este tipo de parto, através de uma amostra de 909 puérperas (454 vaginais e 455 cesáreos) em duas maternidades do Município do Rio de Janeiro, onde entrevistas e revisão de prontuários foram realizados entre setembro de 1998 e março de 1999. Perguntou-se às mulheres se queriam que seu parto fosse cesáreo e a maioria absoluta (75,5%) respondeu "não", as razões principais sendo: "recuperação mais difícil e lenta no parto cesáreo" (39,2%) e "dor e sofrimento maior depois da cesárea" (26,8%). Apenas 17% das mulheres solicitaram cesárea e, destas, cerca de 75% o fizeram durante o trabalho de parto/parto. Análise mostrou que quanto maior o intervalo de tempo entre a admissão no hospital e o parto, mais freqüente é a solicitação. A maioria das mulheres, nas maternidades estudadas, não quer e não pede cesárea; ou seja, não existe uma ‘cultura’ feminina que valorize a cesárea como preferência. Além do desejo da laqueadura, as circunstâncias concretas da assistência no pré-parto/parto parecem influenciar no pedido da mulher.

 

Palavras-chave: Cesárea; Assistência Perinatal; Saúde Reprodutiva

 

 

 

Humanização do Parto e Violência Obstétrica

A formação em obstetrícia: competência e cuidado na atenção ao parto

Sonia Nussenzweig Hotimsky

Interface (Botucatu) v.12 n.24 Botucatu jan./mar. 2008

 

Esta tese consiste em uma análise da formação em obstetrícia durante a graduação em Medicina, baseada em pesquisa etnográfica realizada em duas escolas conceituadas, localizadas na cidade de São Paulo. A proposta foi estudar o modo como se articulam a competência técnica e científica e o cuidado ou relação com a paciente no ensino teórico e prático da assistência ao parto. As técnicas utilizadas na coleta de dados incluíram observação participante, entrevistas semi-estruturadas e, de modo complementar, a análise de livros-textos e protocolos assistenciais. O trabalho abrangeu uma caracterização das propostas curriculares e um exame da experiência dos alunos quanto ao ensino teórico e prático, incluindo sua supervisão nas diversas atividades assistenciais. A ênfase maior recai sobre o desenvolvimento de conhecimentos científicos na formação. Mesmo no internato, maior relevo é dado à aprendizagem da construção e encenação de narrativas clínicas, privilegiando-se a transmissão oral do conhecimento e a memória em relação ao registro escrito e à consulta ao prontuário das pacientes. Pautado em parte pelas chamadas concepções "clássicas", que sustentam uma visão patológica da fisiologia do parto, o exercício da prática envolve condutas que têm sido questionadas com base nas evidências científicas ou até abandonadas em outros contextos. As decisões acerca de condutas ou tratamentos adotados não são compartilhadas com as mulheres atendidas que, freqüentemente, não são consultadas ou sequer informadas a respeito. Por vezes, juízos de valor também influenciam o julgamento clínico e a tomada de decisão médica. Há poucos parâmetros para se avaliarem as atitudes dos alunos em sua interação com as pacientes. Nos serviços em que há maior interação entre alunos e pacientes, a supervisão é menor. Existem acordos informais, entre os assistentes, na divisão de plantões, que se contrapõe aos organogramas formais dos serviços obstétricos vinculados às Faculdades de Medicina pesquisadas. Esses acordos subordinam os objetivos institucionais da boa formação e assistência em obstetrícia aos interesses individuais e coletivos dos profissionais obstetras responsáveis pela supervisão do ensino. Componentes do currículo oculto, esses acordos servem de modelo para outros envolvendo residentes e/ou alunos. Ao longo da formação dos estudantes de Medicina, as interações entre os sujeitos em relação no exercício do ato médico contribuem de diversas maneiras para desqualificar a prática médica da obstetrícia como técnica moral-dependente.

 

Palavras-chave: Obstetrícia. Educação. Aprendizagem. Parto obstétrico.

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 

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