Relato de parto de Cris Balzano, nascimento do João Pedro

Parto domiciliar na água de uma doula, assistido pelos ex-colegas de trabalho. Um parto perfeito e realizador em todos os sentidos! Só não passou na TV.

 

Minha gravidez foi muito desejada e curtida, apesar das muitas mudanças ocorridas nela (casei, mudei de Porto Alegre - onde já estava estabelecida profissionalmente - p/ São Paulo), formamos uma nova família morando juntos (eu grávida, meu filho Miguel, meu marido e seu filho Bruno), ainda temos mais dois (eu tenho a Mônica que mora com o pai e meu marido tem o Felipe que mora com a mãe), com todas estas adaptações, abrindo um novo espaço de trabalho (yoga p/ gestantes, doula e shantala) em S. Paulo e Alphaville. Nossa! Até cansei. Mas era um sonho! O ano de 2004 foi de realizações dos meus sonhos: o casamento com meu marido Alberto e o nascimento do meu filho: parto em casa e na água.

 

Como citei, já tinha 2 filhos de partos naturais, mas hospitalares, e sempre tive muito desejo de ter um parto na água, porque acreditava e continuo acreditando que é um ótimo meio para o bebê chegar ao mundo, mais tranqüilo, além, também de aliviar muito as contrações.

 

O primeiro passo foi preparar o meu marido, nesta relação de muito Amor, decidimos ter um filho, e então havia a possibilidade de realizar meu sonho. Muita conversa, meu marido participou de muitos cursos de doulas comigo, congressos de partos humanizados, e ainda filmou um parto em casa no qual eu era a doula. Ele se sentia bem preparado, e eu também, então fomos às coisas práticas. Nosso desejo era ter o bebê com nossos amigos e meus parceiros de trabalho por muitos anos, a qual sou muito grata, Ric e Zeza, mas e na prática, daria certo? Nós, morando em Sampa, e eles, em POA. Fiz todo pré-natal com a Zeza em P.Alegre, e combinamos que ela tiraria férias no período do meu parto e ficaria na minha casa. Mas havia a possibilidade de nascer um pouco antes (a partir das 37 semanas) e ela não estaria aqui, então consultei em S.Paulo a Vilma Nishi (Enfermeira Obstetra) e o Dr. Jorge Khun, os quais me receberam muito bem, e me senti plenamente amparada.

 

Mas minha relação com a Zeza era de anos, e queria muito que ela estivesse no meu parto, tanto que quando eles vieram a Campinas dar um curso de doulas comigo, psicologicamente achei que estava entrando em trabalho de parto (estava com 37 semanas e queria que eles estivessem aqui, e eles ainda voltariam a P.Alegre). Além disso, estávamos na casa da Lucia, que escolhi para ser minha doula. Mas tive que mais uma vez na minha vida fazer a entrega, porque não era TP. Passou uma semana e numa madrugada achei novamente que estava entrando em TP. Liguei p/ a Zeza e perguntei se ela podia vir p/ SP, e ela não podia, foi então que passou tudo. Mais uma semana, e finalmente Zeza veio p/ SP ficar comigo. Deu tempo até do Ric fazer o lançamento do livro dele em Pelotas e também chegar em SP (já que ele estava aqui de passagem para ir ao congresso da Fadynha no Rio).

 

Então já estávamos todos aqui, na minha casa, e nada de eu entrar em TP (com 40 semanas). Resolvi participar do workshop da Naoli, e lá, com algumas manobras, uma música que ela nos ensinou, acho que resolvi me entusiasmar e enfim entrei em TP.

 

40 semanas e 3 dias (meus outros filhos nasceram antes das 40 semanas). Comi um pouco a mais na 2ª feira à noite, pois minha mãe havia chegado e trazido uns doces de Minas deliciosos. Na madrugada (2 horas e quinze minutos) acordei sentindo uma contração bem forte. Respirei, fiquei quietinha, e esperei ver se engrenava (já que eu tinha muitas contrações neste final de gestação, mas não engrenavam). E enfim comecei a sentir de novo. E de novo, mais ou menos a cada 10 min. Acordei meu marido, e disse, agora é TP, liga p/ a Lucia (ela vinha de Campinas e tinha medo que não desse tempo. Além disso, sabia que ela também esperava ansiosa pelo TP, pq tinha o Encontro da Fadynha no Rio na Sexta-feira).

 

Ele avisou a Lucia, e às 3h acordei a Zeza. Ela ficou comigo, me apoiando muito, e cantando a musiquinha da Naoli. Muito legal, não esqueço. Fui p/ o chuveiro com meu marido e as contrações começaram a apertar. Ele então resolveu avisar o SBT (meu parto ia ser filmado para passar no programa de Domingo - parto na água). Também tinha feito uma entrega quanto a isso, pq se fosse p/ ir p/ TV, eles chegariam e daria tudo certo. Nós tínhamos um receio para que lado a Tv levaria um parto humanizado, em casa, na água, que aspectos abordariam.

 

Enfim, saí do chuveiro, e então olhei p/ a banheira e apontei p/ meu marido prepará-la. Só queria o contato com a água. Zeza me apoiava bastante, respirava comigo (eu fazia a respiração do Yoga que aliviava muito as contrações). Então banheira prontinha, entrei nela e já senti vontade de empurrar. Chamaram também o Dr.Ric (que foi o fotógrafo), a Lucia chegou, massageou as minhas costas, meu marido entrou comigo na banheira, e algumas forças, meu bebê nasceu. Eu e a Zeza estendemos as mãos p/ pegá-lo. Foi lindo, muito emocionante! Minha mãe também estava junto, fotografando. Me senti completa, apoiada, segura, em êxtase. Era um menino (no fundo eu já sabia), o peguei logo no colo, e já saiu mamando.

 

Ficamos todos ali juntinhos na água, namorando o João Pedro. Acordamos meu filho Miguel (de seis anos) que também quis entrar na água. O Bruno (de 19 anos) só conheceu o irmão e voltou p/ seu quarto. Ficamos ainda por uma hora e meia na banheira. Até a placenta saiu na água. Eu não tinha a menor vontade de sair dali. A TV chegou, filmou o depois, pois perderam o nascimento. Resolvemos dar um banho na banheira Tummytub no João Pedro, colocando-a dentro da nossa banheira. Foi então que o papai cortou o cordão. Meu filho nasceu as 5h15. Foi tudo muito rápido e como acredito que nada é por acaso, o programa não foi ao ar, pois eles chegaram depois. Mas está gravado na nossa memória, com as pessoas que tinham que estar ali, naquele exato momento, e no slide-show lindo que o Ric fez.

Foi maravilhoso! E acreditem! Meu filho, hoje com quase 3 meses, adora água, ele pára de chorar na hora.

 

Agradeço muito a Grande Mãe Divina por me proteger, ao meu marido Alberto, meu Grande Amor, por todo apoio e acreditar em mim, sonhando junto comigo, a Zeza, por saber que posso contar com ela, a Lucia, que fez o maior esforço p/ chegar e chegou, por todo seu apoio também espiritual e ao Ric, que apesar de parecer ser só fotógrafo, é muito mais que isso, respeitando e acreditando na mulher. Também a minha mãe, que me ensinou a parir, sempre me passando mensagens positivas a respeito do parto, e não posso esquecer de minhas mestras Fadynha e René, que ficaram rezando durante todo o TP.

 

Muito obrigada!

 

Cristina Balzano 

São Paulo- SP

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