Relato de parto de Roberta Marcinkowski - nascimento da Júlia

Um lindo parto natural hospitalar depois de 30 horas de bolsa rota, mecônio e muita ansiedade

 

A minha bolsa rompeu à 1:30 da manhã do dia 13. Eu liguei para a Ana Cris (doula). Meu marido Luca ainda não tinha chegado dos EUA, ia chegar por volta das 8 da manhã. Comecei a ter contrações de 5 em 5 minutos e monitorei por mais ou menos 1 hora antes de ligar novamente para a Ana. Ela veio para a minha casa e ficou me fazendo companhia. O Luca chegou de viagem e por volta de 10 da manhã o doutor Jorge passou para dar uma olhada no meu estado. Eu estava com apenas 1 cm de dilatação. Havia mecônio no líquido amniótico e ele recomendou que eu tomasse bastante líquido. Ele e a Ana foram embora por volta do meio-dia, as contrações ficaram um pouco mais espaçadas. Aproveitamos para descansar.

 

À noite, eu comecei a tomar o antibiótico, já fazia 18 horas do rompimento da bolsa. As contrações estavam de 10 em 10 minutos ou até mais. Consegui dormir relativamente bem.

 

Na manhã seguinte, o doutor Jorge me mandou ir ao Santa Catarina fazer um ultra-som, cardiotocografia e uns exames de sangue. Cheguei lá por volta de 8 da manhã e soube que o parto da Denise Niy (participante da lista materna) também estava em curso. Isso significava que a dra. Mema, a dra Andrea e a Ana Cris estavam lá também. Fiz os exames e ficamos esperando os resultados que ficaram prontos perto de meio-dia. As contrações estavam de 7 em 7 minutos nesse momento. A enfermeira passou os resultados para o doutor Jorge por telefone e ele pediu para a dra. Mema fazer um exame especular. Ela me disse para almoçar primeiro. Fomos andando até o Shopping Paulista e eu percebi que as contrações começaram a ficar mais frequentes, de 3 em 3 minutos.

 

Quando eu voltei, ela me examinou e eu já estava com 4,5 de dilatação. Fui internada por volta de 1:30 da tarde e as contrações foram ficando mais fortes.

 

Fiquei sozinha na LDR por um bom tempo enquanto o Luca tratava dos papéis da internação. Eu andava durante as contrações, o que aliviava bem. A Ana Cris trouxe a bola para eu usar e vinha de vez em quando ver como eu estava. Eu fiquei no chuveiro um tempo também.Quando o parto da Denise acabou, elas vieram para o meu e eu já estava com muita dor. A dilatação estava de 6 para 7 e eu pedi que elas me dessem anestesia. A dor era muito intensa e eu sentia muita náusea também. A dra. Mema me deu então uma injeção de buscopan com plasil até que o doutor Jorge chegasse. Eu estava muito certa de querer a anestesia. O Luca esteve ao meu lado o tempo todo, tentando me apoiar e fazer qualquer coisa que me ajudasse. Ele sugeria que eu fosse para o chuveiro, mas eu não conseguia nem responder ao que ele falava.

 

O doutor Jorge chegou e a primeira coisa que eu disse foi "eu quero anestesia". Ele me disse para ter um pouco de calma para que ele soubesse primeiro o que estava acontecendo e a medicação pudesse ter algum efeito. Eu já estava vendo estrelas de tanta dor e numa contração mais forte, vomitei, urinei e evacuei ao mesmo tempo. Ele decidiu fazer um toque e a dilatação estava em 9cm! Eu achei que ele e a Ana Cris estavam me enganando, mas o fato é que com aquela sujeirada toda eu decidi ir para o chuveiro. Fiquei lá por mais de 1 hora e realmente ficou óbvio que o expulsivo tinha chegado. Debaixo d'água, as contrações ficaram muito mais suportáveis, mas eu gritava bastante em cada uma delas. A Ana Cris e a dra. Mema se revezavam no banheiro. Eu fiquei mais ou menos uma meia-hora na banqueta de parto e a Júlia estava descendo relativamente rápido.Fui para a cama e com instruções muito específicas de como fazer força durante as contrações, em meia-hora a Júlia nasceu, toda envolta em mecônio. Depois de uma limpadinha básica da Ana Paula, ela veio para o meu colo, já com os olhos abertos e ficou me olhando intensamente durante muito tempo. Deu uma mamadinha e ficou lá até a Ana levá-la para ser pesada. A placenta saiu em menos de 10 minutos também e eu já estava me sentindo muito bem e renovada, conversando com todos e extremamente impressionada com o fato de que tinha conseguido. Nem me incomodei com os pontinhos que tive que levar por causa da laceração.

 

A Júlia é linda e muito tranquila.

 

Agradeço muito:

 

• À dra. Mema, que induziu o parto naturalmente me mandando almoçar e subir escadas no shopping e fez uma sauna enorme comigo no banheiro durante o expulsivo.

 

• À dra. Andrea, que segurou a minha perna direita durante a fase final do nascimento e me deu um beijo muito carinhoso de despedida.

 

• À Ana Cris, que confiou em mim mais do que eu mesma e me deu todo o apoio desde o início.

 

• À Ana Paula (neonatologista), que permitiu que a Júlia ficasse comigo o tempo todo e que ajudou a escapar das terríveis rotinas que ela teria enfrentado com a equipe de pediatria do Hospital.

 

• Ao doutor Jorge, "gerente" da mulherada, que segurou a barra de esperar pelo meu trabalho de parto, depois de mais de 30 horas de bolsa rota, com mecônio e a minha hipertensão crônica e que deu as instruções certas na hora certa para eu conseguir fazer a Júlia nascer.

 

• Finalmente, ao Luca, que me surpreendeu participando de tudo, tentando me ajudar, que conseguiu ver a filha nascer e cortou o cordão umbilical e que está babando nela até agora.

 

 

Roberta Marcinkowski

São Paulo - SP

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